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sábado, 19 de setembro de 2020

Ferrari tem quase 24% de vitórias em suas 1000 corridas na Fórmula 1.

E finalizando as publicações sobre as 1000 provas disputadas pela Ferrari na Fórmula 1, iniciadas  aqui nesse link, nesse último post vamos registrar as vitórias da equipe rossa na categoria.

Como veremos na planilha abaixo, podemos destacar o incrível número de 72 triunfos alcançado por Michael Schumacher pela equipe, o que por si, mesmo sem somadas as outras vitórias do alemão, já seria o recorde de toda categoria, na época em que foi alcançado, 2006, e que  teria perdurado por muitos anos, vez que, até hoje, somente Hamilton tem um número de vitórias maior. 


Assim como ocorre com as poles, Nick Lauda também é o segundo que mais vezes chegou na posição de honra pela Ferrari, e isso ocorreu em 15 corridas, e Sebastian Vettel vem em terceiro, com apenas uma vitória a menos que o austríaco.

Infelizmente para os tifosi, o momento da equipe de Maranello não é dos melhores, pois não vence desde o GP Cingapura do ano passado, aliais, ocasião em que marcou a sua última dobradinha, e na atual temporada somente conquistou dois pódios, ambos com  Charles Leclerc.

Diferente do que muitos podem pensar, a atual fase vivida pela Ferrari não é algo inédito em sua história, pois foram muitos os anos em que a equipe não conseguiu vencer, por exemplo 2014 e 2016, além do hiato vivido nas temporadas de 1991/92/93, tendo ocorrido, inclusive, anos até sem pódios, como em 1973 e 1980, este último, ano em que defendia tanto o título de construtores como o de pilotos.

Vejam todas a vitórias da Ferrari na Fórmula 1:





Vejam todas as dobradinhas da Ferrari na Fórmula 1:

Cores meramente ilustrativas!
Fotos: Reprodução de internet.

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Ferrari mais de 200 poles em 1000 corridas.

No último grande prêmio de Fórmula 1, disputado no circuito de Mugello, na Itália, a icônica equipe Ferrari marcou a sua milésima participação na categoria, sem dúvida uma marca histórica, e que levaremos muito tempo para vermos outra equipe alcançar.

E para destacar esse feito histórico, resolvemos fazer um levantamento e divulgação de todas as poles e vitórias da equipe do "cavalo rompante", nesses 70 anos.

Nesse primeiro post vamos registrar as poles, como veremos na planilha abaixo, e da mesma, podemos destacar o incrível número alcançado por Michael Schumacher, 58 poles pela equipe. Lauda é o segundo que mais vezes largou da posição de honra pela Ferrari, e isso ocorreu em 23 corridas, e Felipe Massa está em terceiro, com 15 poles.



Vejam todas a poles da Ferrari na Fórmula 1:


Cores meramente ilustrativas!
Fotos: Reprodução de ineternet.

segunda-feira, 8 de junho de 2020

CARROS QUE AMAMOS : MCLAREN 4/1C






Anteriormente, este espaço falou dos McLaren MP4/1 (1981) e MP 4/1B (1982). Carros que marcaram o nascimento da nova fase da equipe. Quem quiser, pode ver aqui sobre 1981 e 1982. Mas o foco agora é 1983, onde veio talvez o mais importante e que serviu de base para o sucesso futuro: o MP 4/1C.


Consolidado no comando da equipe, Ron Dennis e John Barnard haviam captado que, se quisessem ser vencedores, necessitavam ter um motor turbo para chamar de seu. Embora, leve e confiável, o Cosworth V8 começava a ficar para trás na corrida de potência e até o refratário Keith Duckworth (o Worth da Cosworth) já considerava abraçar o uso dos turbo (o que começou a acontecer, mas para a Fórmula Indy). Após muita discussão, conseguiram um investidor e contrataram a Porsche para fazer um motor turbinado.


Por este motivo, 1983 era considerado um ano de transição, com o desenvolvimento do TAG/Porsche sendo conduzido para 1984. Para esta temporada, Barnard e sua equipe de projetos usaram o MP4/1 mais uma vez como base, mas fizeram uma série de modificações. O carro se mostrava ótimo, com espaço para desenvolvimento. Aerofólios foram revisados e a área central foi mais estreitada para poder gerar o máximo de área na área nas laterais para otimizar o efeito solo.


Mas a proibição do efeito solo e a obrigatoriedade de um fundo totalmente plano, definido um pouco antes da temporada, fizeram com que os planos fossem mudados. John Barnard e Alan Jenkins foram ao túnel de vento e acharam uma solução simples para poder recuperar parte do apoio aerodinâmico perdido....


Como as laterais agora não precisavam ser tão largas, o objetivo agora era reduzir a resistência ao ar dos carros e recuperar parte do apoio perdido. Os aerofólios aumentaram de tamanho e as laterais ficaram bem reduzidas. A McLaren foi por um caminho diferente: resolveu atacar uma área onde o arrasto é grande, em frente do pneu traseiro. Ao invés de jogar o ar para fora, Barnard e Jenkins fizeram uma reentrância na traseira do carro. Isso aumentava enormemente a eficiência do difusor traseiro e reduzia o arrasto. Este princípio foi apelidado de “traseira coca-cola” (por se assemelhar ao gargalho de uma garrafa do refrigerante) e se tornou padrão na Fórmula 1 até hoje.




Em paralelo, foi feita uma versão, o MP4/1D, para poder fazer o desenvolvimento do TAG/Porsche V6, projetado de acordo com todas as necessidades passadas por John Barnard. O objetivo inicial era ter um carro extremamente fino, com um motor leve e de centro de gravidade baixo para poder aproveitar o máximo de espaço para gerar o máximo de efeito solo. A mudança de regulamento não mudou os planos...


A dupla de pilotos seguiria a mesma: Niki Lauda e John Watson. E o carro mostrou manter o nível dos antecessores: Lauda já obteve um terceiro lugar no Brasil, que virou segundo com a desclassificação de Keke Rosberg. Em Long Beach, a maior recuperação até hoje da história da F1: por conta do péssimo desempenho dos Michelin (os pneus eram concebidos para os turbo. Os aspirados tinham menos potência e demoravam mais para entrar na faixa de funcionamento), Watson e Lauda largaram em 22º e 23º lugares, respectivamente. Subindo o escalão e contando com os acidentes no meio do caminho, os dois fizeram dobradinha no pódio, levando os dois primeiros lugares.




O início foi arrasador e deu tranquilidade para a equipe começar a pensar no projeto turbo. Em abril de 1983, um protótipo do motor foi mostrado no Salão de Genebra. E em junho, Watson e Lauda foram testar pela primeira vez na pista particular da Porsche, em Weissach. A esta altura, o carro era acossado por problemas de confiabilidade e o máximo que se fazia era um terceiro lugar em Detroit para Watson.


(fonte: www.primotipo.com)


Os resultados dos testes foram animadores. Para acelerar o processo, um Porsche 956 também foi usado. Lauda ficou empolgado com a potência que o motor gerava, bem como a suavidade de funcionamento, em contraste ao trepidante Cosworth V8. Algumas semanas depois, o austríaco testou o carro em Silverstone e decidiu começar a fazer uma força para usar o turbo ainda em 83.



(fonte: www.primotipo.com)



Após fazer um grande peso político junto à Marlboro, em um mês e meio dois carros ficaram prontos e o MP4/1 ganhava sua versão “E”. Inicialmente, só Lauda usaria o carro e foi estreado em Zandvoort, no GP da Holanda. Estimava-se que o motor desenvolvia cerca de 600cv (80cv a mais do que o Cosworth) e o carro se mostrava rapidíssimo. Só que ainda havia muito trabalho a ser feito para ajustar a eletrônica e o atraso da entrada da turbina em ação, além de uma falta de acerto do carro. Resultado: depois de 25 voltas, abandonou por falha nos freios. Watson conseguiu ainda um terceiro lugar com o carro de motor Ford.

TAG/Porsche indo para a pista...(fonte: www.primotipo.com)



Os resultados da Holanda acabaram por fazer a equipe alinhar os dois carros turbo até o final da temporada e funcionar como uma sessão de testes estendida. Os resultados não foram animadores, mas serviu para acelerar o desenvolvimento. A versão E do MP4/1 bem demonstrativa do que seria o MP4/2 do ano seguinte.

Lauda e o MP4/1E (fonte: www.primotipo.com)


Para encerrar, um dado curioso. Após o fim da temporada, a equipe, com o apoio da Marlboro, deu uma chance de jovens pilotos testarem em Silverstone. Alinharam Martin Brundle, Stefan Bellof e Ayrton Senna...


Senna testando o MP4/1C em Silverstone (fonte: Continental Circus)


Este foi o final da saga do MP4/1, que serviu para recolocar a McLaren de volta ao jogo e preparou o caminho para a dominância dos anos seguintes. A partir de 84, a McLaren venceu 6 vezes o campeonato de Construtores em 8 anos. E apontou um novo grande nome para a categoria: Ron Dennis. 

Ron Dennis matando as saudades do tempo de mecânico ? (fonte: www.primotipo.com)



domingo, 29 de março de 2020

F1 - CARROS QUE AMAMOS - MCLAREN MP4/1 (Parte II)




Vamos à segunda parte da história do McLaren MP4/1, um carro que marcou a F1 por ser precursor em tecnologia e ser o veículo de um novo domínio na categoria. A primeira está aqui.



1981 foi um ano de reorganização. Para 1982, a equipe se valeu de um programa de desenvolvimento montado no túnel de vento do Instituto Nacional da Marinha Britânica e no centro de desenvolvimento da Michelin, com quem o desenvolvimento técnico aumentou. John Barnard entendeu que o MP4/1 era uma boa base e procurou mexer em detalhes, aperfeiçoando suspensões, aerodinâmica inferior e redução de peso. Assim veio o MP4/1B.



O carro continuava a ter o chassi desenhado na Inglaterra, os painéis de materiais compostos fabricados pela Hércules nos Estados Unidos e novamente montados na Inglaterra. O motor continuava a ser o velho de guerra Cosworth V8. Embora se começasse a pensar em um turbo...Mas isso é papo mais para frente...



Tratando de pilotos, a equipe dispensou Andrea De Cesaris, que foi para a Alfa Romeo. John Watson foi mantido e atendendo a um pedido da Phillip Morris, foi atrás de um piloto de ponta. A escolha foi Niki Lauda, que havia deixado a Brabham em 79 no meio do GP do Canadá. O austríaco a esta altura estava envolvido com sua companhia aérea, a Lauda Air. Após uma negociação pesada e testes em Donington Park e Paul Ricard, Lauda foi anunciado como o novo piloto da McLaren.

Só que o acordo foi curioso. Como Lauda estava parado há mais de dois anos, a Philip Morris não queria bancar um grande contrato. Aí foi feita a proposta: pagavam o salário pedido por ele, mas faria-se um contrato inicial de três provas, que poderia ser renovado por mais três provas. Caso não conseguisse bons resultados, as partes abririam mão e vida que segue. O austríaco aceitou.

Lauda, Barnard e Watson: o trio de ferro da McLaren




As apostas se mostraram certas. Lauda voltou com a competência de outrora e ajudou a confirmar o potencial do MP 4/1B. Chegou em 4º logo na Africa do Sul e venceu o GP de Long Beach, logo em sua terceira prova após o retorno. E teve seu contrato renovado para o resto da temporada. Ganhou também na Inglaterra e poderia ter obtido em 3º lugar no soturno GP da Bélgica, mas foi desclassificado por estar 2kg abaixo do peso mínimo. No fim, obteve 30 pontos, chegando em 5º lugar.


Lauda colocando a equipe para trabalhar ao seu redor...




E o que deveria ser o “segundão”, foi um dos postulantes daquela louca temporada. Watson obteve um 2º lugar no Brasil, venceu na Bélgica e em Detroit, onde contou com uma série de situações (incluíndo uma batida na 6ª volta). Uma sequencia de 6 abandonos o prejudicou, mas chegou até o final ainda em condições de disputar o título. Acabou em 3º lugar, empatado com Didier Pironi, com 39 pontos.


John Watson rumo à vitória em Detroit



O desempenho em pista havia sido interessante, a despeito de uma série de problemas técnicos. Mas o lado de fora acabou por ser mais ainda...



Como dito no início do texto, a Mclaren foi uma daquelas equipes que percebeu que, se não tivesse um motor turbo para chamar de seu, ficaria para trás. E este processo ajudou a detonar uma mudança maior ainda...



Desde o início, o processo de fusão da Project Four e a McLaren não correu em águas calmas. Ron Dennis e Teddy Mayer começaram a ter uma série de desavenças sobre os rumos da equipe. A decisão sobre os motores acabou por detonar tudo. Mayer e Tyler Alexander se preocupavam com a escalada de custos e advogavam que a McLaren deveria usar um motor existente, como o BMW ou o Renault.




Já Ron Dennis, em conjunto com John Barnard, não estavam satisfeitos com este tipo de solução. Barnard então era mais incisivo na posição de não aceitar soluções correntes. E surgiu a idéia: e se alguém fizesse um motor para nós?



Após algumas consultas no mercado, um dos nomes que havia na lista era a Porsche. A marca alemã já havia participado da F1 nos anos 60 e volta e meia era citada como uma potencial fornecedora. E quando houve a reunião da McLaren, a resposta era: não nos interessa ser fornecedora de motores.



Mas Ron Dennis, bom negociante, chegou para Hans Metzger, então chefe do departamento de motores, e disparou: e se alguém pagasse para vocês fazerem um motor? A conversa mudou inteiramente....



Um pré-acordo foi fechado. A McLaren seria responsável por financiar o desenvolvimento e a construção de um motor turbo. Mas a continuação estava condicionada a obtenção de fontes que bancassem o resto do programa.



Enquanto John Barnard passava o que queria para os alemães para ter um motor potente e extremamente compacto para poder obter o máximo de efeito solo possível, Ron Dennis ia em busca de apoiadores para o projeto. Esta foi a gota d´água para que Teddy Mayer e Tyler Alexander saíssem da sociedade e Ron Dennis assumisse definitivamente as rédeas do negócio, com John Barnard também entrando para o quadro de acionistas.(Tyler acabou por retornar à equipe em 1989).

Teddy Mayer, Tyler Alexander e Ron Dennis. No fim de 1982, só restou Dennis...



A Phillip Morris foi contatada para ser a investidora do projeto, mas não aceitou por achar que já gastava dinheiro demais com a equipe. Até que aparece um saudita chamado Mansour Ojjeh. Filho de um famoso negociante de petróleo, a família montou uma empresa de pesquisa chamada Technologies d' Avant Gard (Tecnologias de Vanguarda, em francês) e era um dos patrocinadores da Williams até então.



Ron Dennis apresentou seu projeto e tinha a intenção de que aquele motor não pudesse ser somente utilizado na F1, mas também em motonáutica e em outras áreas do esporte motor. Houve um acordo e a McLaren International em conjunto com a TAG, criaram a TAG Turbo Engines, que seria a responsável por contratar a Porsche para a construção e desenvolvimento de um motor turbo. Surgiu a idéia de que a Williams também usasse este motor, mas Frank Williams fechou um acordo com a Honda.



O acordo formal com a Porsche foi assinado em setembro de 1982 e em 18 de dezembro daquele ano, o primeiro protótipo rodava nos dinamômetros de Weissach: era o TTE-PO1- V6. Um bloco de 6 cilindros em V, extremamente compacto (80º) e feito atendendo a tudo que John Barnard pediu.

Motor TAG-Porsche: o futuro dominador.



1983 prometia ser o ano em que a McLaren se consolidaria no grupo da frente. Mas isso fica para a terceira e última parte do texto sobre o McLaren MP4/1.