domingo, 30 de setembro de 2018

Não é o jogo de equipe...


Tão logo Valtteri Bottas quase parou sua Mercedes 77 na volta 25 do GP da Rússia para que Lewis Hamilton ficasse à sua frente, um misto de revolta e decepção veio através do público que acompanha a Fórmula 1.



Uma repetição da Áustria 2002 se materializava diante de todos. Ross Brawn deve ter visto uma filme passar em sua frente enquanto se sentava ao lado de Vladmir Putin na tribuna de Sochi. Esqueçam a corrida de Leclerc, Max Verstappen e até mesmo a ultrapassagem de Hamilton sob Vettel. Tudo ficou esquecido pela decisão da Mercedes.



O que se questiona não são as ordens de equipe. Estas são mais antigas do que andar para frente e são corriqueiras não só no automobilismo, mas em outros esportes, como o ciclismo. Até foi tema de coluna ontem aqui (eis o link). No caso da Mercedes, a opção por favorecer Hamilton era totalmente defensável e lógica.



Mas precisava ser do jeito que foi? Como dito, o ganho pela troca de posições era de 7 pontos. Além disso, até os tatuís das praia de Sochi (será que tem mesmo tatuí em Sochi?) sabem que Hamilton é um piloto melhor e mais completo do que Bottas e poderia ganhar a posição tranquilamente. Ou ainda, vá lá, fazer de modo mais “disfarçado”, em um trabalho de box ou até mesmo numa simulação de ultrapassagem, com o uso do DRS.



Mas mesmo com toda a situação, imagine só a Ferrari fazendo isso. Quantas vezes ela apelou para este estrategema, sendo uma delas até este ano(Alemanha)? Soa até curioso ouvir Vettel chamar a decisão da Mercedes de “sem cérebro”.



E deixemos de hipocrisia: a Fórmula 1 nunca foi “politicamente correta”. Ao longo de sua história, várias atitudes tomadas mostram que nem sempre o “correto” e “altivo” era levado em consideração. Por anos, correu na África do Sul com o país adotando uma política de estado de segregação; vendeu sua alma para correr em países sem tradição por conta de dinheiro e outras coisas. Sem contar as trocas de posição. Uma situação desta lembra um ladrão que roubou a vida toda, foi furtado e agora tem a chance de posar como paladino da moral e dos bons costumes.



Pouco adiantam agora as declarações “arrependidas” e “pesarosas” de Toto Wolff e Lewis Hamilton e uma bela foto da equipe com os troféus trocados entre o inglês e Bottas. O estrago está feito e manchará a história da 70º vitória de Hamilton e o agora muito provável quinto título. Pensar que a Mercedes já foi uma “baluarte” da defesa da disputa entre pilotos da mesma equipe.



Como agora a nova dona da categoria se preocupa (um pouco) com a imagem perante ao público, alguma ação deve ser tomada. Lá atrás, após Áustria 2002, o regulamento passou a proibir as ações descaradamente deliberadas. Daí então, as equipes passaram a usar outros meios (um exemplo foi o famoso “Multi 21” da Red Bull), mas as ordens prosseguiram. Provavelmente, teremos mais um exemplo de “vamos mudar tudo para continuar a mesma coisa”.



O fã da Fórmula 1 quer disputas sinceras. Aí está o núcleo do objetivo do espectador e tudo gira em torno disso. Quando até isso se põe em dúvida, todos os alicerces do prédio trincam e podem colapsar. Encenações podem até acontecer, mas o excelentíssimo público quer uma atuação digna de Oscar. E não um pastelão de quinta categoria como o hoje de Sochi. 


sábado, 29 de setembro de 2018

Razão x Emoção: o dilema de Toto


No passeio da Mercedes em Sochi, um fato que não acontecia já a algum tempo ocorreu: Valtteri Bottas obteve a pole position, ficando por pouco mais de um décimo à frente de Lewis Hamilton. Tudo bem que o inglês errou em sua última tentativa, mas o finlandês confirma que se sente à vontade nesta pista.



Outro aspecto importante foi a diferença entre as Mercedes e as Ferrari. Muita gente pensou que os italianos estariam “escondendo” o jogo e mostrariam a real situação no treino definitivo, ainda mais por conta da série de novidades que trouxeram para esta prova. Mas em nenhum momento, Vettel e Raikkonen se mostraram em condições de discutir a primeira fila.



A esperança agora dos italianos é a largada. Só que, segundo os jornalistas que estão acompanhando, a Mercedes está conseguindo ter melhores condições de tempo nas sequências de voltas, com um tratamento de pneus melhor do que as Ferrari. Realmente, está difícil estar no lugar de Vettel e Raikkonen...



Com esta situação, uma dúvida deve emergir para Toto Wolff: como gerenciar a evolução da prova?



Com seus dois pilotos na primeira fila e caso não haja qualquer tipo de acidente, a Mercedes terá a possibilidade de escolher como fará a corrida. Wolff tem duas opções na mesa: a primeira, é ser pragmático e fazer que Bottas faça uma corrida totalmente em prol de Hamilton. Caso haja a troca de posições e o finlandês consiga manter Vettel atrás de si, o inglês aumentaria sua distância para o alemão em mais 10 pontos e iria para o Japão com 50 pontos de diferença. Faltando 5 etapas para o fim, pavimentaria o caminho para o seu quinto título.



Mas ainda há a opção da justiça: Bottas está à vontade na Russia e tem feito até aqui uma temporada decente, inclusive jogando em prol de Hamilton. Aliás, as únicas “dobradinhas" da temporada até aqui vieram da Mercedes (Espanha e Alemanha). Mas a equipe pode optar por deixar que os dois façam suas respectivas corridas e permitir que  finlandês obtenha sua primeira vitória na temporada. Esta situação permitiria que Hamilton aumentasse a sua diferença, mas para 43 pontos.



Para a Mercedes, seria indiferente qualquer uma das duas opções, pois a liderança no certame de construtores seria tranquilamente mantida e ampliada. O bolso da Daimler agradece penhoradamente caso isso se concretize, pois é desta premiação é que sai boa parte do dinheiro do orçamento....



Enfim: Wolff pode apelar para o par-ou-ímpar, cara ou coroa, uni-duni-tê ou qualquer outro método tecnológico e randômico. A bola está no seu campo e o clima é totalmente favorável. Só resta à Vettel e a Ferrari não baixarem os braços.


O ganho de pontos varia pouco, considerando que Vettel e Raikkonen cheguem em terceiro e quatro. Claro que corridas são imprevisíveis e vimos isso várias vezes este ano. Mas qual é a graça de não querer adivinhar o que vai acontecer?

Na posição de Toto, pensaria sim no campeonato de Hamilton. podem ser somente 3 pontos de diferença entre uma opção e outra. Mas faltando pouco para terminar a temporada, é hora de ser pragmático e garantir a vitória. Não irão faltar àqueles que defenderão o resultado de pista, o que não deixa de ser certo. Mas na conjuntura atual, é hora de fazer como no ciclismo e priorizar o capitão da equipe.


Vamos ver o que o domingo nos espera. Em princípio, valerá a pena ver a largada e as paradas nos boxes. Embora seja um belo cenário, o traçado não permite tantos “arroubos” de ultrapassagens, fazendo a famosa “procissão”. Talvez a escalada da Red Bull nos dê alguns momentos interessantes e o garoto Leclerc largando de uma ótima sétima posição, brigando com as Force India (6º e 8º com Ocon e Perez)e a Haas (5º e 9º com Magnussen e Grosjean).

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Hamilton x Vettel : Números 2018

Às vésperas do GP da Russia, muita gente se pergunta não “se”, mas “quando” Lewis Hamilton garantirá o título desta temporada da Fórmula 1. Contando com a corrida deste fim de semana, ainda se tem 150 pontos em disputa para uma diferença de 40 pontos do inglês para Sebastian Vettel.

A tarefa do alemão é dificil, mas não impossível. A seu favor, muita gente lembra da campanha de 2012, quando Vettel tirou uma diferença de 36 pontos para Alonso em 7 provas. A Ferrari vem com tudo para tentar recuperar o terreno perdido. Um exemplo disso é a escolha de pneus feita para Russia e Japão, onde optaram por usar mais 2 jogos de pneus mais macios em relação à Mercedes.

Mas para dar uma alimentada nos dados para este fim de semana, trago umas estatísticas compiladas pelo amigo Henrique Zambianchi, que agradeço desde já pela confiança em dividi-las com vocês.

Distribuição dos pontos Hamilton x Vettel após 15 corridas

Hamilton e Vettel chegam a Russia com 281 e 241 pontos, respectivamente. Dos 375 pontos de vitória até agora (25 x 15), Hamilton obteve 175 (46,67% do total) e Vettel, 125 (33,33% do total).

Aprofundando um pouco mais a distribuição de pontos dos dois, temos:





Um outro levantamento é a diferença entre Vettel e Hamilton ao longo das 15 etapas até aqui:



Para completar...
Poles
Hamilton – 7
Vettel – 5
Bottas – 1
Ricciardo – 1
Raikkonen – 1

Vitórias
Hamilton – 7
Vettel – 5
Ricciardo – 2
Verstappen – 1

Pódios
Hamilton – 12
Raikkonen – 9
Vettel – 9
Bottas – 6
Verstappen – 6
Riccardo – 2
Perez – 1

Voltas na Liderança
Vettel – 341
Hamilton – 299
Ricciardo – 95
Bottas – 64
Verstappen – 57
Raikkonen – 49

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Se vê, se sente: Marchionne está presente


Agora pouco, a Sauber anunciou que o italiano Antonio Giovinazzi (o moço da foto) será o companheiro de Kimi Raikkonen para a temporada de 2019. O surpreendente foi a troca de lugar com Marcus Ericsson, que será o terceiro piloto. Lembrando que o sueco foi o “caixa forte” dos suíços até a chegada da Alfa Romeo este ano.

Em tempo: A permanência de Ericsson parece uma forma de aplacar os investidores suecos e ainda ter um “backup” em caso de Giovinazzi não corresponder às expectativas.

Giovinazzi não é necessariamente um estranho no ninho. Além de ser piloto da Academia Ferrari e por conta da ligação prévia da Sauber com a Ferrari, o italiano era piloto de testes do time e substituiu Pascal Werhlein nos GPs da Austrália e China de 2017 (inclusive dando uma tremenda batida neste último). 

Este ano, o italiano já era reserva da equipe e fez duas saídas nos FP1 dos GPs da Alemanha e Hungria, sendo confirmado também para o GP da Russia (outras estão sendo programadas). Além disso, era um dos pilotos de treinos nos simuladores da Ferrari. Curioso que Giovinazzi não faz uma temporada completa desde 2016, quando disputou o campeonato da GP2, ficando com o vice-campeonato.

De acordo com o planejado


O mais interessante em todo este movimento é ver que o “Mundo Ferrari” vem se movendo de acordo com o que parecia ter sido desenhado por Sergio Marchionne (foto). Praticamente 3 meses após sua morte, se haviam dúvidas que as diretrizes estabelecidas por ele seriam mudadas, elas vêm sendo dissipadas. E curiosamente, a última aparição pública de Marchionne foi na apresentação do plano quinquenal 2018-2022 do grupo FCA, em junho.

John Elkmann e Louis Camilleri (Presidente do Conselho e CEO da Ferrari, respectivamente) estão tomando aos poucos as rédeas e parecem ter um estilo menos “abrasivo” do que o de Marchionne. Em uma rara entrevista até então, dada no início de agosto na Gazetta dello Sport, Camilleri fez declarações diplomáticas no formato, mas mantendo o conteúdo de seu antecessor: queremos uma Fórmula 1 diferente, mas respeitando os nossos interesses.

Logo depois, foi desfeito o mistério do segundo posto da Ferrari e Charles Leclerc foi confirmado como companheiro de Sebastian Vettel. Muito se diz sobre esta situação, com alguns jornalistas dizendo que o contrato já havia sido assinado ainda por Marchionne e que estava sendo buscada uma solução para Kimi Raikkonen, que vem fazendo uma temporada bastante digna este ano. No mesmo dia, saiu o anuncio de que o finlandês iria para a Sauber.

Este movimento, mais o anuncio de hoje, deixam ver que a aposta de Marchionne em usar a Alfa Romeo como “laranja” da Ferrari na Sauber, garantindo mais espaço para os italianos na intrincada política da Fórmula 1, prossegue. Claro que há o aspecto de marketing, já que no portfólio de marcas do grupo FCA, a Alfa ganhou uma importância enorme, sendo designada para disputar com BMW, Audi e Mercedes, e com planos de aumentar as vendas em quase duas vezes e meia em cinco anos. Dizem alguns especialistas do mundo automotivo que seria uma estratégia para valorizar a marca para uma posterior venda e capitalizar o grupo, que vem sendo prejudicado pelo desempenho da...Fiat.

Dizem que é difícil dar cavalo de pau em um transatlântico. Aparentemente, este vem sendo o lema em Maranello. Extrapolando um pouco mais, deve estar ecoando na Itália um velho chavão de multidões: “Se vê, se sente: Marchionne está presente”.

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Tradição ou dinheiro?


Muita gente ficou animada quando a FIA anunciou que a Hankook, fabricante sul-coreana, havia apresentado uma proposta para participar do processo de escolha da nova fornecedora de pneus para a Fórmula 1 no período 2020-2024 juntamente com a Pirelli. Erradamente se julgou que seria um retorno à “guerra de pneus”.

Entretanto, a FIA e a Fórmula 1 deixam claro na documentação da licitação que a escolha é para um único fornecedor.  E este foi um dos motivos que fizeram a Michelin não entrar. Os franceses até se animaram em participar pela introdução do aro 18, mais próximo ao tipo utilizado diariamente. Mas o fato de um fornecedor único, bem como as características de desgaste e a exigência de ter que fabricar pneus de 13 polegadas por um único ano (2020), não animou a marca do Bibendum a tomar parte.

Quando o processo de escolha foi lançado, perguntaram se a Good Year e a Bridgestone não gostariam de voltar. Os americanos se arrependeram de ter saído na década de 90, mas vem passando por um grande processo de reestruturação financeira, não tendo condições de voltar agora. Já os japoneses não concordam com o conceito de “degradação acelerada” solicitado anteriormente por Bernie Ecclestone.

No documento de convite para a licitação, a FIA estipula quais são os parâmetros que devem ser seguidos pela fornecedora. Eis alguns deles:
- O fornecedor terá que desenvolver pelo menos três tipos de pneus:
  • Duro: com 2 segundos de degradação com pelo menos 22% de corrida;
  • Médio: 2 segundos de degradação com pelo menos 18% de corrida e 1,2s mais rápido do que o composto Duro; e
  • Macio: 2 segundos de degradação com pelo menos 10% de corrida e 2,2s mais rápido do que o composto Duro; 
- Uso dos cobertores térmicos até 2020. A partir de 2021, com a introdução do aro 18”, não serão mais permitidos; O fabricante deverá prever que os pneus não fiquem “vitrificados”, mesmo quando a temperatura de pista esteja abaixo de 10 graus celusius;
- Neste sentido ainda, compostos especiais deverão ser desenvolvidos para os testes de inverno (pré-temporada). Esta exigência vem na esteira do que aconteceu este ano em Barcelona, quando as equipes tiveram dificuldade de testar pelas baixas temperaturas e os pneus não chegavam à temperatura de uso;
- Pelo menos dois testes oficiais por ano deverão ser organizados pela fornecedora, às suas expensas e a quantidade de pneus utilizada seria descontada do total de 110 jogos cedidos para cada competidor (atualmente, seriam 5 jogos e meio por corrida para cada piloto)
- O fornecedor deverá entregar às equipes pneus protótipos pelo menos até 1 de dezembro do ano anterior ao campeonato (ex: para 2020, o fornecedor tem que entregar até 01/12/2019). E o modelo para os testes de resistência e túnel de vento até 1º de janeiro de 2019; e
- Está prevista reunião de 3 meses com um grupo de trabalho formado pela fornecedora, equipes, FIA e Fórmula 1 para avaliação do desempenho.

Existem alguns itens mais técnicos que merecem ser discutidos mais à frente. Mas o fato é que agora, as propostas serão discutidas tecnicamente e financeiramente. As negociações serão tocadas pela FIA e FOM (Liberty Media).

Aí se pergunta até onde o processo pode ser honesto. A Pirelli está a bastante tempo na categoria (2010), conhece bem os meandros da coisa e tem interesse em continuar. Já a Hankook, embora não seja necessariamente uma novata (foi fundada em 1941) e já milite no automobilismo em categorias de certa envergadura como a EuroF3, DTM e F4 Britânica, vê a Fórmula 1 como um possante instrumento de marketing e demostrar que tem um produto de alta qualidade. E aparentemente está disposta a abrir a carteira para vencer este certame.

Sabemos que muitas vezes, um processo deste tipo é feito para “satisfazer a plateia”, pois as decisões já foram realmente tomadas. Alguns dizem que as características técnicas foram feitas sob medida para a Pirelli, dando um “jeitinho” para que a Michelin não participasse.

O fato é que não existe bobo nesta história. Não há um prazo para que a FIA anuncie o vencedor da licitação, embora seja consenso que uma resposta não deva tardar conta dos prazos estabelecidos no próprio processo. Minha opinião é que não deve haver mudanças e a Pirelli deva continuar. Agora, se o bolso falar mais alto...os coreanos tem chance.

domingo, 23 de setembro de 2018

É campeão! Felipe Drugovich ganha título da Euroformula por antecipação


Após seis rodadas do campeonato da EuroFormula Open e faltando duas para o final, o campeonato conhece o seu mais novo campeão: o brasileiro Felipe Drugovich.  O brasileiro literalmente colocou categoria no bolso, vencendo 10 corridas das 12 disputadas até aqui e abrindo uma distância de 126 pontos para o segundo lugar, o holândes Bent Viscaal. 

A conquista do título se deu em Monza, templo do automobilismo e lugar que o brasileiro Emerson Fittipaldi foi campeão da Formula 1 pela primeira vez, após vencer as duas corridas, marcando a pole na prova de domingo.  Com isso, Felipe Drugovich, correndo pela equipe italiana RP Motorsport, dá um importante passo em sua carreira. 

Para quem não sabe, a Euroformula é um campeonato disputado com chassis Dallara 312 (usados até algum tempo pela F3 Européia) e motores Toyota. A diferença em relação ao campeonato principal são as limitações de acerto e de peças. Mas os carros andam em circuitos tradicionais como Silverstone, Barcelona, Paula Ricard, Spa-Francorchamps, entre outros. 

Drugovich em Paul Ricard, rumo a mais uma vitória

A Caminhada de Drugovich


Esta não é a primeira vez que Drugovich é campeão mantendo um domínio absoluto.  Último campeão da MRF Challenge (disputada na Ásia, equivalente a F4), de 16 corridas em 4 rodadas, venceu 10 e conseguiu dois segundos lugares e um terceiro, abrindo uma diferença de 81 pontos para o segundo lugar. Tanto na MRF Challenge e na EuroFormula Open, bateu o recorde de vitória e pontuação destes torneios. 

Com o título, Felipe Drugovich ganha destaque entre os brasileiros que almejam uma sonhada vaga na Formula 1.  O brasileiro, que começou na carreira de monoposto em 2016, além do título do MRF Challenge, também tem um terceiro lugar pela Formula 4 Alemã em 2017. 
Drugovich em uma das corridas da MRF Challenge

Ano que vem será decisivo 

Felipe Drugovich demonstra ter espaço em qualquer categoria de ponta do automobilismo. Se não conseguir ir para a Fórmula 1, pode ir para Fórmula Indy, Fórmula E ou até mesmo WEC e IMSA.  Para que consiga ter esse espaço no automobilismo mundial, vai ter que continuar fazendo o seu trabalho, o que ele já demonstrou ter capacidade nestes anos em que corre em monopostos.

Espera-se que Drugovich faça uma temporada na nova F3 (junção da F3 Européia com a GP3) no ano que vem numa equipe que seja competitiva e que lhe dê oportunidade para demonstrar o talento que tem. Como esta categoria participará de algumas corridas da Fórmula 1, ele estará sob os olhares dos principais chefes da Fórmula 1 (inclusive do senhor Helmut Marko que está louco para conseguir um jovem talento para ocupar futuramente a cadeira da Red Bull) e de grandes patrocinadores. 

Sabe-se da dificuldade de um piloto conseguir uma vaga na Fórmula 1.  Além de talento, é preciso ter muito dinheiro para bancar uma F3 ou até mesmo uma F2, o que não é fácil. Mas é um investimento que vale a pena ser feito e se dá certo, certamente o retorno que virá será muito maior do que foi investido.

Alô patrocinadores, mídia e torcida: Olho em Felipe Drugovich!




Texto escrito por Guilherme Soares de Almeida, com edição de Sergio Milani

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Discussão por partes

Maurizio Arrivabene (Ferrari), Toto Wolff (Mercedes) e Christian Horner (Red Bull)

Foi noticiado pelo site “Race Fans” que haverá nesta quarta em Genebra uma reunião do Grupo de Estratégia da F1. Este grupo é atualmente formado por Mercedes, Ferrari, Red Bull, Mclaren e Williams, além da FIA e da F1. A Force India também tomava parte, mas como se tornou uma “nova” equipe, perdeu o assento nas discussões. Por enquanto, este posto fica vago...

Periodicamente, este grupo se reúne para discutir assuntos sobre a categoria e podem derivar ou não para alguma mudança para os próximos tempos. Algumas das modificações feitas ultimamente vieram destas reuniões, embora para que qualquer alteração seja feita, é preciso a concordância de todas as partes envolvidas e a aprovação da FIA.

Entre vários pontos na pauta (Toto Wolff ia tentar pôr em discussão a inclusão do terceiro carro e as novas regras para motores também estavam lá), um dos que chamam mais a atenção é o aumento de uso de itens padrão pelas equipes, visando a redução de custos.

Tal tema ganha relevância quando se ouve Charlie Whiting, diretor da FIA, falar que os “times B” devem ser “reavaliados” para o futuro e o chefe da Renault, Cyril Abiteboul, diz em entrevista esperar que a Liberty Media tome medidas para restringir o uso das “equipes satélites” pelas “matrizes”.

Além deste aspecto, há o espectro do teto de gastos, que a Liberty Media espera introduzir a partir de 2021. Fala-se um limite de US$ 150 milhões a ser implantado em um período de 3 temporadas. Tal medida é aplaudida por Williams e Mclaren, enquanto Mercedes e Ferrari veem com ceticismo. Inclusive o novo CEO da Ferrari, Louis Camilleri, em entrevista dada na Gazzetta dello Sport em agosto, diz que ainda existem muitos detalhes para se conseguir um acordo final. Alguns analistas apostam que um acordo neste sentido saia se houver uma redução do número de etapas.

Voltando ao tema das peças: o uso de itens já vinha ocorrendo desde meados dos anos 2000 e foi aprofundado nos últimos anos. Hoje, o regulamento contém duas listas: itens que devem ser obrigatoriamente produzidos pelas próprias equipes e outros que podem ser fornecidos por outras equipes. Neste caso foi que a Haas fez uma interpretação bem original das regras e fechou um acordo de fornecimento com a Ferrari.

A idéia a ser discutida hoje é introduzir a partir de 2021 uma terceira lista de itens, que seriam considerados “padrão”. E como funcionaria? Um projeto único seria definido e poderia ser feito pelas próprias equipes ou ser adquirido de outra equipe ou fornecedor.

Este item foi incluído pela Liberty Media e vai de encontro ao conceito de manter o principal da concepção de desenvolvimento nas mãos das próprias equipes, mas atuar tecnicamente e otimizar custos “onde os fãs não veem” (palavras de Pat Symmonds, Diretor Técnico da F1). Embora interessante, dá calafrios em equipes como a Ferrari e fãs puristas, que veem isso como um caminho para a padronização da categoria.

Tais ações também buscam “acalmar” a Renault, voz mais crítica sobre a política de fornecimento de soluções, pois acredita que, caso não haja uma fiscalização, as matrizes podem usar suas “satélites” para acelerar o desenvolvimento de soluções.

Esta reunião não servirá para decisões dramáticas. É mais um passo na construção do “grande consenso” rumo a 2021. De mais relevante, se espera que a FIA praticamente “jogue a toalha” e transfira a adoção de novas regras de motores de 2021 para 2023. Aguardemos o que virá no final do dia.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

F1 aposta na grana



"Não importa a cor do gato. O importante é que ele cace os ratos". Podem não ser exatamente estas as palavras ditas por um estadista chinês, mas o significado é este. E parece este ser o lema da atual administração da Fórmula 1.

E por que isso? Saiu agora pouco no vetusto jornal inglês Financial Times e na BBC que a Liberty Media fechou um acordo estimado em mais de 100 milhões de dólares com a Interregional Sports Group, uma agência de marketing inglesa, para explorar potenciais patrocínios de apostas na Fórmula 1. A ideia é que estas empresas veiculem suas marcas nas corridas e desenvolver meios de explorar a categoria.

Segundo o Diretor Comercial da Fórmula 1, Sean Bratches, este acordo permite aumentar o envolvimento do público com a categoria ("fancentrismo", segundo ele) e explorar novos campos de negócio.

Tal acordo serve não só para recuperar parte do investimento da Liberty Media na compra da Fórmula 1 como também recompor parte dos valores desembolsados para as equipes, que caiu no último ano sob a desculpa de que "não havia uma estrutura administrativa para tocar a categoriae vários investimentos foram feitos neste sentido". Pode ser ótimo para o balanço, mas se abre um espaço no mínimo perigoso...

Apostas existem há muito. Na Inglaterra, berço de boa parte das equipes de Fórmula 1, se aposta em tudo que se possa imaginar desde sempre. Mas nos últimos anos, esta indústria vem crescendo rapidamente e muito se discute a influência dela sobre os resultados esportivos. Os casos de eventos manipulados surgem cada vez mais a público, embora também se diga que sempre existiram...

O fato é que hoje este ramo é um dos principais investidores em esportes, mesmo cheios de suspeitas. E a liberação da exploração de apostas feita pela Suprema Corte americana este ano acaba por abrir mais um belo campo (estima-se que o mercado americano de apostas seja de 150 bilhões de dólares).

Para se ter uma idéia, Bernie Ecclestone, um homem que não tinha escrúpulos com dinheiro, era contra este tipo de acordo por achar que isso poderia manchar a imagem glamorosa da categoria.

Garantindo a "transparência", a Liberty Media fechou um acordo com uma empresa de tecnologia europeia para usar os dados gerados pela Fórmula 1 junto a ISG e demais empresas para "criar um ambiente confiável e auditável" para identificar padrões “suspeitos”.

Embora cada vez mais lucrativa e crescente, esta indústria tem sofrido restrições por vários países para veiculação e participação de suas marcas em eventos esportivos ou em transmissões ao vivo. Alguns especialistas dizem que a veiculação deste tipo de propaganda deverá ser feita com muito cuidado por este aspecto. Nigel Currie, fundador da NC Partnership, consultoria esportiva, ouvido pelo Financial Times, aposta que deva acontecer com as empresas de aposta o mesmo que as tabaqueiras nos anos 90: Por seu caráter internacional, é difícil para os legisladores atuarem sob a Fórmula 1 e por este motivo, a exposição garante grande retorno sobre o investimento.

O fato é que a Fórmula 1 busca novos campos de patrocínio. Após a proibição às tabaqueiras, o final da “bolha” das empresas de tecnologia e do ramo bancário e a sombra da restrição às bebidas, a categoria abraça o que o futebol e outros esportes tem feito para aumentar o faturamento. E não é de hoje que a Fórmula 1 fecha os olhos para aspectos éticos para garantir o bolso cheio...

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

5x Scott Dixon - Neozelandês é um dos maiores da história na Fórmula Indy.

Com o segundo lugar obtido no GP de Sonoma disputado no último domingo (16/09), Scott Dixon escreveu, definitivamente, seu nome como um dos maiores pilotos história na Fórmula Indy.

O neozelandês ganhou os campeonatos de 2003, 2008, 2013, 2015 e agora o de 2018, tornado-se um dos maiores vencedores da categoria norte-americana, com cinco títulos, deixando para trás Dario Franchitti, Mario Andretti e Sebastien Bourdais, todos com quatro títulos, e ficando apenas atrás dos sete campeonatos de AJ Foyt.

Scott Dixon ficou na segunda posição do campeonato em 2007 e 2009 e ainda em terceiro nos anos de 2010, 2011, 2012, 2014 e 2017, ou seja, são doze anos sendo um dos três melhores pilotos da categoria, realmente um feito que não pode ser ignorado.

Nesses anos o piloto alcançou 44 vitórias, 42 segundos lugares e 17 terceiros, ao todo 103 pódios, além de 26 poles e 32 voltas mais rápidas.

Em 2008 venceu as 500 Milhas de Indianápolis, além de ter conseguido três poles neste tradicional corrida, neste mesmo ano de 2008, em 2015 e 2017.

Fica a pergunta: Com números tão bons na categoria Norte-americana, será que Scott Dixon teria feito sucesso na Fórmula 1?

Scott Dixon e Chip Ganassi
Scott Dixon

Vejam os últimos campeões da Fórmula Indy:
Clique na imagem para ampliar - cores meramente ilustrativas!

domingo, 16 de setembro de 2018

1990, 28 anos depois

Sim, caríssimos...estamos vendo a história ser escrita.



Sei que escrevi algo semelhante duas semanas atrás em Monza. Mas é muito difícil não fazer a análise das semelhanças entre 1990 e 2018. Tal como fez Senna antes em Prost, Hamilton vem conseguindo não só ganhar na pista, mas infligir sucessivas derrotas psicológicas a Vettel.

Vocês devem se perguntar o por quê desta comparação. Mas em determinado momento daquela temporada, Senna e a McLaren se perderam e viram Prost e a Ferrari conseguir ficar momentaneamente em melhor posição, tendo uma real chance de conquistar o campeonato. E com o esforço de todos os envolvidos, o brasileiro conseguiu em dois momentos chave garantir a sua posição para o campeonato: Bélgica e Itália.

A corrida em Singapura não foi lá estas coisas, é verdade. Mas foi uma demonstração do que vem sendo a temporada até então. E a “pancada” começou justamente na classificação, quando Hamilton fez uma volta monstruosa. Foi um daqueles momentos que o fã da Fórmula 1 tem que dar um jeito de ver e rever, onde o piloto mostrou a total simbiose com a máquina.

Claro que ter uma Mercedes ajuda e muito. Hamilton não conseguiria fazer isso com uma Williams, por exemplo. Mas era uma pista em que não era favorável ao seu carro e momentos antes, ele quase não passou para o Q2! Só que foi uma pintura a volta. E mesmo quem não gosta do inglês, tem que reconhecer o seu feito. Menção honrosa para Max Verstappen, que também “achou” uma volta sensacional.

E não basta Hamilton estar “encantado”. A Ferrari também faz a sua parte e, no afã de inovar, acabou estragando a corrida de Vettel, o trazendo para o box bem antes de Hamilton e Verstappen. Resultado: se viu encaixotado atrás dos dois com o pneu ultramacio, preso no transito e ainda não sendo mais rápido do que os dois.

Em tempo: me espanta certos “formadores de opinião” serem cegos pela paixão e só coloquem a culpa em Vettel. Claro que ele tem culpa no cartório, mas a Ferrari tem sistematicamente errado nas estratégias. Hoje, a equipe italiana volta a ser aquele transatlântico sem comando da década de 80/início de 90. É preciso ter um mínimo de bom senso e reconhecer que Vettel e a equipe precisam fazer uma bela DR e acertar os ponteiros.

Claro que Vettel ainda tem chance. Mas depois de hoje, sua janela de oportunidade vai se estreitando cada vez mais. Se antes já era “erro zero”, como havia escrito anteriormente, agora vai ter que contar com algo que tem lhe faltado: sorte. O que impressiona é que suas entrevistas vão se tornando cada vez mais amarguradas e a transferência de culpa já começou.

Hamilton começou a garantir o campeonato hoje. Uns 2 dedos na taça já estão lá. Correr em modo administração não é com ele. Após um início claudicante, se entendeu com o carro e achou o foco necessário. Se conseguir mais uma vitória na Rússia, próximo GP, ele pode simplesmente chegar em segundo nas seguintes que praticamente garante seu título no Brasil. Vettel agora é de vez o azarão das apostas e vendo cada vez mais só pode contar consigo mesmo (o “exército de um homem só” citado por mim na última coluna).

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O que foi o Perez em Singapura ? O incidente na largada com Ocon até tem seu benefício de dúvida, mas a batida em Sirotkin foi simplesmente vergonhosa. Nem em corrida de kart indoor algo deste tipo é admissível. Nesta hora mostra porque seu nome não é cogitado para ir para uma grande equipe.

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Charles Leclerc quebrou a urucubaca e marcou mais dois pontos. Talvez sirva para recolocar a cabeça no lugar após a confirmação do maior desafio de sua vida até aqui: a Ferrari em 2019.

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Menções honrosas para Fernando Alonso (7º com esta McLaren manca) e Max Verstappen, que fez uma boa corrida e soube se impor perante Vettel em seu retorno dos boxes, garantindo o pódio.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Fórmula 1 revela conceito de seu carro para temporada 2021.

Vazou a imagem de um carro conceito para ser usado na Fórmula 1, a partir da temporada 2021, durante o evento do GP de Singapura, que está sendo disputado neste fim de semana, e um set completo foi revelado oficialmente após a primeira sessão de treinos livres.

Ross Brawn explicou que a Fórmula 1 trabalhou em três estágios de sua visão, e já foram feitos testes em túnel de vento para confirmar as esperanças se convertam ao mundo real.

O propósito primário é produzir carros para corridas, carros que poderão batalhar de forma próxima”.

Vemos isso em outras formas de corridas, mas elas são frequentemente categorias com design fixo, com todos correndo com o mesmo carro. Não há soluções extremas como na F1.”

As equipes agora estão envolvidas nisso. Mas todas as equipes têm modelos que iniciamos, e elas estão analisando e dando suas impressões”.

As equipes possuem limitação dos testes aerodinâmicos que podem fazer, mas a FIA deu a eles um tempo extra para trabalhar neste projeto, então há um ótimo incentivo para encontrar a melhor solução. O que estamos encontrando do modelo deles é similar ao que estamos encontrando”, disse Brown.

Já o chefe da equipe Ferrari, Maurizio Arrivabene disse: "Eu estava procurando os carros apresentados há alguns dias. É um bom exercício. Eu perguntei aos nossos engenheiros o que eles pensavam sobre isso”, e ainda "eles disseram que, na opinião deles, é um pouco decepcionante e parece um velho Champ Car, mas é um exercício."

As restrições econômicas fazem parte das mudanças radicais que a F1 previu para 2021, com a Ferrari conhecida por se opor à ideia que foi oficialmente apresentada em abril. Foi sugerido desde então que o limite de US $ 150 milhões não seja introduzido para 2021 e, ao invés disso, entre em fases ao longo de várias temporadas, assim como um limite de pessoal.

"O objetivo de todo mundo é economizar dinheiro, reduzir custos. A questão não é o quê, a questão é como, (...) como queremos fazer isso? Como queremos manter a F1 no topo do automobilismo? Como queremos continuar desenvolvendo carros que são bonitos para o público? Não é uma equação fácil,” completou Arrivabene.

Arrivabene foi modesto em sua posição da Ferrari sobre um teto orçamentário e em se comprometer com a F1 além de 2021, embora insinuasse que permaneceria se opondo se se sentir excessivamente restrito.

"Com relação ao futuro, o Acordo de Concorde, falei com nosso CEO. A decisão é algo que não é minha. Vai ser uma decisão estratégica que envolve todo o grupo, (...) se de alguma forma um determinado acordo não levar em consideração onde a Ferrari está no mercado, o DNA da Ferrari... repito, é uma decisão estratégica.”

Fonte: https://br.motorsport.com

Conceito do carro de 2021 da Fórmula 1 decepciona Ferrari

2021 concept F1
2021 concept F1
F1 revela detalhes do conceito de seu carro de 2021


quinta-feira, 13 de setembro de 2018

O exército de um homem só!


Na série “Suits”, em um dado momento, o personagem principal, Harvey Specter, diz que “Quando alguém apontar a arma na sua cabeça, a questão não é se render ou ser morto. Você ainda tem mais 146 formas de sair desta situação “. Talvez esta afirmação esteja sendo tocada como mantra nos ouvidos de Sebastian Vettel como preparação para o GP de Singapura neste próximo domingo.



O alemão chega extremamente pressionado para esta prova. Além do linchamento em praça pública feito pelos fãs da Ferrari e boa parte da imprensa após o GP da Itália, Vettel se vê na obrigação de fazer alguma coisa para reduzir a diferença de 30 pontos que Hamilton colocou sob ele, faltando 7 provas para o final do campeonato.



As tais 146 formas de escapar se reduzem mais um pouco ao perceber que Kimi Raikkonen, agora de saída confirmada no final do ano rumo à Sauber, não se mostra tão “colaborativo” quanto deveria. Sem contar a “eficiência” da Ferrari no trabalho de box e nas estratégias, levando vários “dribles” da Mercedes até aqui.



Mas temos que ver quantas vezes Vettel se colocou em prejuízo. Nem considero Baku tanto na lista pois se ele não tivesse tentado a passagem, teriam o chamado de frouxo. Mas França, Alemanha e Itália foram capitais nesta equação. Alguns tiveram a curiosidade de fazer as contas como estaria a situação no campeonato se tanta coisa não houvesse acontecido e o resultado foi que Vettel teria uma boa liberdade no campeonato em relação a Hamilton.



Um campeão não tem que contar somente com a competência, mas também com o imponderável. E neste aspecto, Hamilton vem dando de goleada em seu concorrente e parece não querer dar a fórmula para os demais. Hoje, é consenso que a Ferrari é o melhor carro do grid. Mas a Mercedes tem compensado com uma coesão ímpar no conjunto pista-box. E esta competência é que paga os dividendos agora.



Vettel será a divisão Panzer de um homem só na noite de Singapura. Como o próprio declarou nesta quinta-feira, antes de Hamilton, seu adversário é ele mesmo. E paira sobre si a maledicência daqueles que julgam que o alemão só é campeão por aproveitar o fato de ter tido um carro dominador e some nos momentos decisivos. Também deve martelar a corrida do ano passado, quando tinha tudo para fazer uma ótima prova e o “sanduíche” na largada com Max Verstappen e Kimi Raikkonen botou tudo a perder.



Um fator que pode ajudar ou atrapalhar Vettel é a Red Bull. Em uma pista onde o motor não é tão determinante e um bom chassi se sobressai, os taurinos podem se intrometer na briga pela vitória. Tudo indica que os envolvidos jogarão pesado nos treinos para conseguir ficar na frente. A Mercedes deve partir para uma estratégia de “administração de danos” em uma pista em que não deve andar tão bem (em princípio) e aproveitar da vantagem que tem.



A obrigação de atacar agora é da Ferrari e de Vettel. Hoje, o fator psicológico está a favor da Mercedes e Hamilton. O jogo pode ser ainda virado e o penta pode ir para o 5 de Maranello. Mas cada vez menos opções restam para escapar da arma apontada para cabeça e o erro agora deve ser zero. Seria bom o alemão pensar em apelar para forças ocultas para abrir os caminhos e virar o jogo...