sábado, 20 de outubro de 2018

A Petrobras expande seu papel na F1(2)


Este escriba já havia digitado em agosto algumas linhas sobre o assunto (ver o link aqui do texto republicado). Mas o envolvimento da Petrobras na Fórmula 1 voltou a ser discutido ontem, com a publicação dos diversos veículos da contratação do Sergio Sette Camara, atualmente na F2, para assumir o posto de terceiro piloto da McLaren no próximo ano.



Tal assunto vinha sendo maquinado a algum tempo. Quando do primeiro texto, as conversas vinham sendo desenvolvidas neste sentido e a estatal brasileira, por conta do seu acordo com a equipe de Woking, fez um lobby em prol do jovem mineiro. Sette Camara havia sido apoiado pela empresa em 2016 em sua campanha na F3 e desde meados deste ano carregava a marca da Lubrax (Lubrificantes) em seu macacão e no capacete.



A situação foi concluída quando da vinda do CEO da McLaren, Jonathan Neale, ao Brasil. Oficialmente, Neale veio participar da Rio Oil & Gas no mês passado como convidado da Petrobras e um carro da escuderia foi colocado para demonstração no stand da petroleira no evento e em algumas instalações da empresa posteriormente.



Sette Camara deverá tomar parte na McLaren nos treinos de Abu Dhabi após a última etapa da temporada deste ano. A sua situação na F2 permite que ele possa participar de testes e treinos, completando o mínimo de 300 km exigidos pela FIA para a superlicença. Mas ainda faltariam pontos para atingir o mínimo (40). Deve ser certo que o mineiro participará do primeiro treino livre no Brasil. Outras saídas serão definidas.



Além disso, Sette Camara deverá fazer mais uma temporada na F2, contando com um apoio maior da Petrobras, aumentando o total levantado pelos pacote de patrocinadores atuais. Alias, diz-se que a estatal deve estruturar um programa de apoio para jovens pilotos, tal qual já fez anteriormente. Um dos nomes cogitados para tal é o de Felipe Drugovitch, campeão da EuroFórmula3 este ano.



Na esteira da vinda de Jonathan Neale, foi confirmado o fornecimento de combustíveis e lubrificantes à McLaren a partir do próximo ano.Este ano, a equipe de Woking começou a usar em algumas provas os lubrificantes nacionais e a gasolina já vinha sendo testada, recebendo o aval da Renault há pouco tempo. O contrato já previa tal investimento e se discute a aparição de maior presença do nome da Petrobras na equipe.



E como dito anteriormente, as negociações com a Renault prosseguem. O chefão da Renault Sport esteve no Brasil e existe sim a possibilidade da petroleira brasileira se tornar fornecedora do time anglo-francês. Os resultados com a gasolina impressionaram os franceses e há o interesse de deixar somente um único responsável (hoje, a British Petroleum, através da Castrol, fornece para a matriz). As conversas são bem interessantes. Mas o que pode atrapalhar um possível acordo é a questão da eleição presidencial brasileira.



Os planos da Petrobras serão anunciados no GP do Brasil. É certa a confirmação de Sergio Sette Câmara e o fornecimento de combustível à McLaren. O patrocínio a pilotos e o anúncio da Renault podem acontecer também, mas a probabilidade maior é que ocorra no próximo ano, já com a nova diretoria instalada na Avenida Chile.



Muitos cobravam uma participação mais incisiva da Petrobras no automobilismo. Este ano, a empresa renovou acordo com a Stock Car por mais três temporada e fechou com a Copa Truck, além de manter a Seletiva de Kart. Poderia estar fazendo mais? Sim, condições existem. Mas existe um trabalho grande a se fazer a diversos envolvidos no processo (federações, organizadores) para que não só a Petrobras mas outros apoiadores possam vir a fazer florescer um automobilismo nacional de relevância, como já o foi.


A Petrobras expande seu papel na F1

Muita gente questionou o retorno da Petrobras à Formula 1 este ano. Como uma empresa enterrada em tantos problemas pode se dar ao luxo de gastar dinheiro com isso? Por que não pegar o valor do contrato (estimado em 8 milhões de euros) e investir para a melhoria do automobilismo nacional? Estas e várias outras perguntas surgiram quando foi anunciado o acordo da petroleira com a McLaren no início deste ano.

Cabe lembrar que esta é a terceira passagem da empresa pela categoria. A primeira teve início em 99, quando fechou acordo com a Williams. O objetivo na época não era somente despejar dinheiro na equipe, mas desenvolver tecnologia para seus produtos. Em pouco tempo, a gasolina desenvolvida pela Petrobras chegou aos padrões das demais e inclusive os superou posteriormente.

Um dos fatores que levaram a este resultado é justamente a qualidade do nosso petróleo. Após várias pesquisas feitas no Centro de Pesquisas Leopoldo Américo Miguez de Mello (CENPES-RJ), a mistura obtida dos diversos tipos de óleo retirados tanto de campos terrestres (Amazônia) como de águas profundas (Bacia de Campos) permitiam resultados tão bons que davam ao luxo de fazer gasolinas com composições exclusivas para cada pista.

Este resultado chamou a atenção das demais equipes, que cortejaram bastante a Petrobras. Mas a questão não se materializava por conta do dinheiro: os brasileiros queriam gastar mais em combustíveis e lubrificantes e nem tanto em patrocínio.

Após um breve relacionamento com a Jordan em 2001, a petroleira permaneceu com a Williams até 2008. Este casamento, além de vitórias, permitiu o desenvolvimento de produtos como a gasolina Podium (com maior octanagem) e novos tipos de lubrificantes. Apesar de muitos pedidos e consultas, a empresa naquele momento entendeu que o ciclo havia sido completado.

Após seis anos, Williams e Petrobras voltaram a se juntar, coincidindo com a chegada de Felipe Massa e Felipe Nasr na equipe. O figurino seria o mesmo anterior: desenvolvimento de tecnologia para combustíveis e lubrificantes. E uma outra parte em patrocínio, que ajudou a bancar Felipe Massa.

Este retorno acabou não sendo dos mais produtivos dentro da pista: em 3 temporadas, a equipe forneceu somente os lubrificantes para motor e câmbio, enquanto o combustível não foi aprovado pela Mercedes (por conta disso, teve que usar a gasolina da Petronas). Mas o conhecimento acumulado permitiu o desenvolvimento da Grid e da nova família de lubrificantes Lubrax.

Em 2017, a Petrobras foi novamente procurada por algumas equipes. E iniciou conversas com a McLaren e a Renault. Para a estatal, a Fórmula 1 também seria uma forma de servir como vitrine para a sociedade de que tinha capacidade não só de extrair petróleo em condições especiais, mas de desenvolver produtos de alta tecnologia em uma das maneiras mais extremas: a competição.

Várias visitas foram feitas ao CENPES no Rio de Janeiro e muitas amostras de combustíveis e lubrificantes foram enviadas para a Inglaterra e a França. E os resultados animaram a todos, não somente à McLaren mas a própria Renault. Mas os franceses estavam amarrados ao contrato com a Britsh Petroleum (Castrol).

O acordo com a McLaren foi fechado e neste ano os carros laranja estão utilizando somente os lubrificantes. Mas o trabalho com os combustíveis vendo sendo conduzido com bastante zelo no Brasil e com a equipe avançada na Inglaterra. E neste momento, a Renault vem conduzindo testes em seus dinamômetros com uma nova evolução de gasolina entregue pelos brasileiros para homologação para uso em 2019. E reporta-se que os resultados são animadores.

A coisa boa é que as conversas voltaram a se aquecer para que a Petrobras fosse fornecedora da equipe de fábrica. A grande questão que trata é o dinheiro envolvido na questão: a estatal continua com a política de ter maior interesse no desenvolvimento e fornecimento de produtos e não ter tanto dinheiro envolvido com patrocínio. Estima-se que a BP despeje um valor de 15 a 20 milhões de dólares na Renault por temporada.

As conversas continuam e tudo indica que deveremos ter uma presença maior brasileira na Fórmula 1. Pelo menos no tanque. No volante, é uma outra história que nem muita gasolina pode dar jeito...

(Coluna originalmente publicada em cockpítf1.com em 31/08/2018)

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Rumo à Austin


Após alguns dias de ausência, este espaço volta a dar suas “pitacadas”...

Como é corrente do meio da velocidade, principalmente entre os fãs, já não é mais uma questão de “se”, mas “quando” Lewis Hamilton obterá seu quinto título na Fórmula 1. O inglês chega aos Estados Unidos com 67 pontos de vantagem sobre Sebastian Vettel e pode levar o caneco tranquilamente, com uma combinação de resultados nada difícil de acontecer.

Vettel tem mostrado que morrerá de pé, mesmo com a confusão que a Ferrari se encontra e com a aparente queda de confiança demonstrada. A equipe deverá trazer novidades para Austin, até mesmo no afã de demonstrar que o tal “segundo sensor” da FIA nas baterias não afetou realmente o desempenho.

Usando uma frase muito ouvida nos últimos tempos por conta das eleições, Hamilton está em viés de alta. A Mercedes conseguiu crescer no momento certo, contando com a estagnação da Ferrari, que agora não conta somente com sua capacidade, mas com o imponderável. O desenvolvimento implantado a partir da Bélgica fez com que os carros prateados recuperassem a dianteira. Muitos méritos também para o novo esquema de rodas traseiras, que ajudou na gestão dos pneus. O sistema foi questionado pelos italianos junto à FIA, que deu seu aval.

Uma virada pode acontecer? Pode. Não podemos nos esquecer exatamente que numa mudança desta que Nelson Piquet conquistou seu segundo título, cuja conquista completou 35 anos na última segunda, dia 15. Mas não parece que Vettel e a Ferrari terão força para fazer a virada que o brasileiro e a Brabham fizeram antes. A história se repete como farsa, mas parece muito improvável que ocorra, embora não impossível.

Com o campeonato praticamente decidido, as discussões se focam nas seguintes discussões:
1)Preparativos para 2019: Boa parte das equipes já definiu suas duplas. A Racing Point India confirmou hoje o que já se sabia: Sergio Perez será um de seus pilotos. O anúncio de Lance Stroll deverá vir em breve. Resta saber agora sobre Williams e Toro Rosso.

A equipe de Grove anunciou na semana passada o inglês George Russell, o que mostra a força da Mercedes. Afinal, a conta de fornecimento das Unidades de Potência é de US$ 20 milhões/ano e qualquer vantagem é bem-vinda. Para o segundo posto, há a aparente briga entre Esteban Ocon, Robert Kubica e os rublos de Sergey Sirotkin e Artem Markelov. A Mercedes tem interesse em bancar o francês, embora seja corrente no paddock a intenção de deixá-lo como reserva e promovê-lo a titular em 2020. Estaria também envolvido no meio algum suporte técnico, mas não no formato aventado meses atrás com a Williams comprando o trem traseiro dos alemães.

Já do lado russo, Sirotkin manteria o apoio do banco SMP e vem falando abertamente sobre o projeto do FW42, dando pinta que pode prosseguir. Markelov, protegido da Renault, também viria com um caminhão de dinheiro, mas a prisão de seu pai um pouco antes do GP da Rússia respondendo por acusações de corrupção, o fez perder espaço.

Kubica é uma carta que parecia fora do baralho, mas voltou à mesa com força nos últimos tempos. Foi fartamente divulgado o seu encontro com o CEO da Orlen, petrolífera polonesa, que seria uma das principais apoiadoras do retorno do piloto e poderia ser fornecedora da Williams. Além deste, também houve uma reunião com o primeiro ministro polonês, Mateusz Morawiecki, que anos atrás declarou estar “feliz” por Kubica ter quebrado o braço e o banco que era presidente não ter a necessidade de cumprir o contrato de patrocínio acordado...

Semanas atrás, Claire Williams declarou que “muita gente iria se surpreender com a dupla da Williams para 2019”. Uma parte confirmou a expectativa...

A Toro Rosso (Red Bull que fala italiano) anunciou o retorno de Daniil Kyviat para um de seus carros. A outra vaga, hoje ocupada por Brandon Hartley, é a maior incógnita da paróquia. Todo mundo está cogitado para o posto, inclusive o atual ocupante. Já se falou em Lando Norris (antes da confirmação pela McLaren), Pascal Wehrlein e até Mick Schumacher. O nome de Alexander Albon (foto) surge agora como favorito.



O tailandês, que vem sendo um dos melhores nomes da F2 este ano, já foi piloto da Red Bull e passou a ser considerado após ter fechado acordo com a Nissan eDAMS para a Formula E. Oficialmente, Helmut Marko foi correr atrás do piloto. Coincidentemente ou não, Albon não participou até o momento dos testes de pré-temporada esta semana em Valência...

2) Hamilton o maior de todos ? : Retomando o início do texto e uma discussão que apareceu tempos atrás: Seria Lewis Hamilton o maior piloto de Fórmula 1 de todos os tempos ?

Me parece um tanto quanto forçado afirmar, embora respeite quem pense desta forma. É inegável o alto nível de pilotagem do inglês este ano e talvez esteja seja a sua melhor temporada até então, a despeito do início claudicante do ano e a “armação” da Rússia. Seu estilo é inconfundível e seus números dão razão a seus defensores.

Confirmando o título, Hamilton se iguala a Juan Manuel Fangio e fica na mira de Michael Schumacher, que conquistou o campeonato de pilotos por 7 vezes. Em poles, Hamilton tem o recorde absoluto e faltariam 20 vitórias para que iguale as 91 vitórias do alemão. Como o contrato com a Mercedes foi renovado por mais 2 temporadas, é grande a chance de conseguir isso.

(Em tempo: até agora, Hamilton tem o quarto melhor aproveitamento dentre os campeões mundiais de vitórias em relação a corridas disputadas: O inglês tem um aproveitamento de 31,5%. À sua frente, ficam Fangio com 47%, Ascari com 40,6% e Clark, 34,7%).

Muitas listas de “Quem é o melhor?” apareceram ao longo dos anos e dificilmente se chega a um consenso. Mesmo assim, há consenso entre os nomes que aparecem. Com certeza, hoje Hamilton estará lá entre eles.

Curiosamente, ele não se vê indo atrás dos números de Schumacher. Talvez seja um discurso para inglês ver (desculpem o trocadilho horroroso), mas embora tenha mostrado atenção para outros interesses, Hamilton é extremamente competitivo e deve sim lutar para conseguir bater os recordes de Schumacher e marcar seu nome de forma categórica e inquestionável na Fórmula 1.

Estamos vendo a história ser escrita. Aproveitemos a vista e o momento.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Mulher no volante...é ótimo! (2)


Um tempo atrás, escrevi uma matéria sobre o avanço das mulheres no automobilismo (link aqui). Este ano tem sido de boas notícias neste sentido. e foi divulgada hoje na Inglaterra mais uma iniciativa para tentar aumentar o número de mulheres pilotas no automobilismo: A W Series.

A categoria, que contará com 18 participantes, será inicialmente disputada inicialmente na Europa a partir do próximo ano, em corridas de 30 minutos, com o objetivo de preparar mulheres para chegar aos altos níveis de competição automobilística, principalmente a Fórmula 1.

A categoria contará com chassis Tatuus F-3 de acordo com a últimas especificações da FIA e motores de 270 cavalos. Além disso, tem o apoio de gente importante como David Coulthard e Adrian Newey. Um grupo avaliará as candidatas que farão parte nesta primeira temporada e as escolhidas não terão que desembolsar nada para participar. E a vencedora receberá um prêmio de 500 mil dólares para prosseguir na carreira (a categoria vai distribuir um total de 1,5 milhão de dólares).

No lançamento, Coulthard declarou que “esta categoria nasceu da certeza de que homens e mulheres podem competir um contra o outro igualmente se dadas as mesmas oportunidades”. O piloto ainda vê que as pilotas alcançam um “teto” na GP3/F-3 na curva de aprendizado mais por falta de dinheiro do que de talento.

É uma ação que suscita discussões. Em tese, sou favorável que homens e mulheres corram juntos, até mesmo por uma questão de desenvolvimento. Muita gente boa por aí vê que a mulher não teria condições de chegar a uma Fórmula 1, por exemplo (quem não se lembra das declarações de Carmen Jordá?). Mas se o sistema está errado, por que não tentar muda-lo?

Querendo ou não, o machismo é muito arraigado no automobilismo. Aos poucos, vemos as mulheres se estabelecendo no automobilismo, mas ainda na parte técnica. As figuras de Danica Patrick, Simona de Silvestro e Bia Figueiredo vão dando folego para que outras venham assumir o volante. E este é um os objetivos desta categoria, de acordo com Caterine Bond Muir, CEO da W Series.

Não está muito claro em que lugar da “escada” do automobilismo esta categoria estará posicionada, embora baseada na F-3 e até com mais potência do que esta. Alguns poderão dizer que “se mulher correr entre si, não vai desenvolver da maneira que tem de ser”. Pode ser que esta iniciativa dure 2,3 anos e não dê em nada. Mas é preciso tentar alguma coisa. E que a categoria possa sim incentivar a vinda de novas entrantes de modo que não seja mais necessária e a presença de pilotas seja cada vez mais constante.

Para saber mais, acesse wseries.com

Vem correr, mulherada!!!!

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Mensagem ao CEO


Caro Senhor Camilleri,

Desculpe a intromissão. Tenho idéia de que é uma pessoa muito ocupada. Mas resolvi lhe escrever uma mensagem por conta do que vem acontecendo na sua empresa.

Peguei este endereço de e-mail com um cara que escreve aqui no Brasil. Diz ele que sabe muita coisa que rola por aí. Ele não tinha certeza se era este mesmo, pois ainda era da época do Montezemolo. Todo caso, segue a mensagem.

Tudo bem que o senhor chegou há pouco tempo, ainda pode estar descobrindo onde fica a máquina de café, os interruptores e os banheiros... A fábrica pode estar bem, os carros vendendo bem...mas a equipe de Fórmula 1...

Imagino que ainda tenha muita coisa definida pelo Marchionne e talvez o senhor ainda esteja seguindo a linha do “pato novo não mergulha fundo”. Pelo que pude ler quando assumiu o cargo de CEO, o senhor gosta de corridas e as acompanhou muito quando era presidente da atual patrocinadora da sua equipe. Se isso for verdade e com sua experiência, acredito que já deve ter percebido muita coisa fora do lugar.

Uma das coisas que chama atenção é o papel do líder. Acredito que o senhor deva conhecer bem o Maurizio, já que ele também bateu ponto em sua antiga empresa. Mas é bom conversar com ele e o pessoal...Como um chefe de equipe pode dizer que não tem responsabilidade sobre a parte técnica? Se o senhor considera mantê-lo no posto (ainda tem a possibilidade Juventus na mesa? Fale com o Agnelli que ele dá um jeitinho), dê uma conversada com ele, junto o resto do pessoal...é bom esclarecer umas coisas para não dar mais ruído na conversa...

A galera de projetos está segurando bem o rojão. A equipe valorizada pelo Marchionne é boa e merece ser valorizada. Todo caso, sugiro contratar um headhunter e iniciar umas entrevistas para chefe de equipe e principalmente para a parte de estratégia...Rueda tem murchado muito...

Uma coisa legal de se fazer também: converse com o Vettel. Muita gente diminui os títulos dele, diz que só foi campeão porque tinha um canhão na mão. Nada disso. O cara é muito bom! Mas precisa de uma atenção, pois esta questão de querer ainda gerir corrida e pilotar ao mesmo tempo..está difícil para ele. Uma psicóloga também seja uma boa idéia. Fazer o necessário para recolocá-lo no foco e possa voltar a ser campeão mais vezes.

Se o senhor notar, são ações de gestão! Independe de entender de corridas, mas sim de ter a sensibilidade de compreender o contexto. Pelo que vi em seu currículo, suas ações na Phillip Morris foram muito positivas, mesmo com as ameaças contínuas ao negócio tabagista. Comandar uma empresa como a Ferrari, apesar de ser algo único, não deveria ser tão pesado.

Por sua experiência empresarial, fica complicado para um simples fã de corridas como eu lhe dar conselhos. Mas vai assim mesmo: mostre quem manda. É preciso que saibam que existe um novo xerife na cidade. Pois pior do que errar por agir, é errar por omissão. E tenha certeza que tem gente de olho no seu lugar.

Atenciosamente,

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Touro (muito longe do) Vermelho


A temporada de balanços das equipes de Fórmula 1 prosseguem. Ontem, este espaço falou do faturamento da Mercedes. Hoje, se aborda a situação da Red Bull, também publicada no Motorsport/Autosport (link original aqui) do ano passado.

No texto de ontem, se falou rapidamente na matéria da Forbes, onde mostrou que a empresa de Dietrich Mateschitz gastou quase US$ 80 milhões de dólares somente na Toro Rosso. Agora, o quadro fica mais amplo...

De acordo com a matéria publicada hoje, o faturamento da Red Bull Racing em 2017 subiu mais de 17% em relação a 2016, indo de 197,9 para 231,3 milhões de libras esterlinas (pouco mais de 1,1 bilhão de reais). O motivo do crescimento vai em linha ao que expos a Mercedes: aumento dos valores de premiação, marketing e patrocínio.

Mas em relação a sua concorrente, é de chamar atenção o aumento do valor desembolsado pela sua controladora. Em 2016, a Red Bull investiu cerca de 40,6 milhões de libras de libras esterlinas. Já no ano passado, este valor aumentou para 56,5 milhões de libras esterlinas (cerca de 284 milhões de reais), valor semelhante ao aplicado pela Daimler na Mercedes. Lembrando que o controlador também tem colocado mais dinheiro por conta da queda nos valores obtidos na premiação.

E tal como as flechas de prata, os gastos também aumentaram em 2017: foram dispendidos 226,7 milhões de libras esterlinas, um aumento de mais de 17% em relação a 2016 (193 milhões). Segundo Christian Horner, chefe da equipe, a variação foi motivada por conta do desenvolvimento do RB13 e as novas regras implantadas.

No fim das contas, a Red Bull teve novamente um pequeno lucro no ano passado: 1,1 milhões de libras esterlinas (pouco mais de 5,5 milhões de reais), significando um aumento de 22% em relação a 2016.

Mas mesmo assim, há uma situação que acaba “mascarando” os resultados. O “mundo Red Bull” tem mais uma empresa: a Red Bull Technology. Oficialmente, ela é tratada como uma subsidiária do grupo, desenvolvendo “tecnologia avançada”, e uma fornecedora da Red Bull Racing e da Toro Rosso.

Somente ela fechou com 793 funcionários (oficialmente, a equipe Red Bull conta com 58) e teve um faturamento de 244 milhões de libras esterlinas (mais de 1,2 bilhão de reais) e fechou com um lucro de pouco mais de 11 milhões de libras esterlinas (cerca de 57 milhões de reais).

Em uma análise rápida e considerando estes dados oficiais, podemos estimar que a Red Bull gastou cerca de 150 milhões de dólares em 2016 em suas duas equipes (não fica claro qual o montante do valor colocado pela empresa de energéticos na “subsidiária). Indo além, o lucro contábil não justificaria o tamanho da dinheirama gasta e qualquer acionista questionaria a viabilidade do negócio.

Embora não se confirme, os dados de equivalência de exposição na TV foram estimados em mais de 2 bilhões de dólares (este seria o valor que a Red Bull gastaria se fosse comprar espaço de divulgação). Sobre a área digital não se tem idéia, embora pode ser estimado neste patamar. Neste aspecto, a Fórmula 1 acaba ainda sendo um bom outdoor para a empresa de energéticos e cada vez dando asas. Ao menos até onde as latinhas continuarem vendendo bem...

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Formula Grana ? O sucesso da Mercedes.


Eis um ótimo exemplo de como a Fórmula 1 se tornou um grande negócio e que o custo envolvido chegou a níveis impressionantes. 

Exatamente há um ano atrás, fiz um texto falando sobre o balanço da equipe Mercedes de 2016, mostrando como a Fórmula 1 valia a pena para a Mercedes (eis o link aqui). E hoje, mais uma vez o conglomerado Autosport/Motorsport mostrou o balanço da equipe em 2017 (eis o original aqui)

De acordo com o balanço divulgado, a Mercedes teve um faturamento de mais de 337 milhões de libras esterlinas (nada mais do que 1,7 bilhão de reais pelo câmbio de hoje), sendo que a controladora, a Daimler AG, contribuiu oficialmente com 60 milhões, quase 20% do valor total.

Em relação a 2016, as receitas aumentaram mais de 16%, quando houve um faturamento de “somente” 289 milhões de libras. Esta variação é justificada pelo aumento dos valores de premiações, marketing e patrocínios, além de ganhos com variação cambial.

Por outro lado, os gastos também cresceram: para desenvolvimento do carro de acordo com as novas regras, a equipe gastou quase 50 milhões de libras esterlinas (mais de 250 milhões de reais) a mais do que em 2016. Este valor também engloba o aumento de funcionários (849 para 912) na fábrica. No total, a Mercedes gastou quase 310 milhões de libras esterlinas para disputar a temporada de 2017.

Estes valores não incluem os custos com a unidade de motores de Brixworth (Inglaterra) , embora haja a informação de que a equipe desembolsou 20 milhões de libras para cobertura dos custos de fornecimento das unidades de potência. No ano passado, estimou-se que o faturamento desta unidade ficou em 160 milhões de libras esterlinas.

No final de tudo, a equipe Mercedes teve um lucro de 13,3 milhões de libras (67,5 milhões de reais) em 2017, o que significou uma melhoria em relação a 2016, quando fechou com um prejuízo de 3,3 milhões (motivado por pagamento de impostos).

Alem disso, outra métrica relevante informada pela Mercedes: de toda cobertura televisiva, cerca de 24,7% foi dedicada à equipe, o que equivale a uma exposiçao estimada em 3,4 bilhões de libras para a marca e seus parceiros.

O modelo atual de negócios acaba por favorecer os mais fortes. Vencendo mais, maior a premiação. Tanto que a Red Bull vem tendo maiores investimentos por sua controladora justamente por conta da piora em seus resultados. Em agosto, a revista Forbes mostrou que só na Toro Rosso, a empresa de energéticos gastou quase 80 milhões de dólares, significando mais da metade das receitas da equipe em 2017. Se formos analisar somente em termos nominais, tal valor era equivalente ao orçamento de uma equipe de ponta em meados dos anos 90.

Tais dados dão combustível para a intenção da Liberty Media introduzir um modelo mais igualitário de distribuição de prêmios e implantar um teto de gastos para as próximas temporadas. Os americanos pretendem estipular uma redução em 3 temporadas e fala-se em um valor de 200 milhões de dólares.

A seguir, cenas dos próximos capítulos.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Hankook mostra suas armas



Semana passada, este espaço abordou a questão do processo de escolha do fornecedor de pneus da Fórmula 1 para o período 2020-2023. No texto, foi colocado que, se o aspecto financeiro fosse levado em conta, os coreanos da Hankook têm chance de tomar o lugar da Pirelli (ver aqui).

Embora a escolha seja feita pela FIA em conjunto com a FOM, a batalha de convencimento tomou parte da imprensa. E mostra que é um jogo entre pesos-pesados. 
Como bem dito, é a luta entre a tradição e o dinheiro.

Neste GP da Rússia, Toto Wolff e Cyril Abiteboul (Mercedes e Renault, respectivamente) deram declarações reconhecendo o tamanho do trabalho desenvolvido pela Pirelli. Wolff ainda foi mais longe, dizendo que a empresa tem uma “tarefa impossível” em “desenvolver qualquer especificação que nós solicitamos”. Abiteboul reforçou as declarações de seu colega e pregou que deve haver uma estabilidade de regras para qualquer um que entre.

Hoje, uma matéria publicada no site na prestigiada Auto Motor und Sport dá conta da aposta feita pela Hankook: Os coreanos contrataram como consultor Hirohide Hamashima, que nada mais era do que o responsável pelo programa de competições da Bridgestone e também prestou serviços à Ferrari para ajudar a entender o funcionamento dos Pirelli quando da troca de fornecedores.

Além disso, impressionou a FIA ao mostrar suas instalações em Deajon, na Coreia do Sul, que conta com tecnologia de última geração. Mas o mais impactante seria a informação de que os coreanos teriam comprado um Williams/Cosworth FW33 e já realizam testes longe dos olhos do público. De acordo com a mesma matéria, assinada por Michael Schmidt (editor da revista), um Formula 2 também teria sido comprado e adaptado para o uso dos pneus em uso atualmente na Fórmula 1.

Williams FW33: o carro que teria sido comprado pela Hankook

Formalmente, as equipes não podem transmitir dados atuais para terceiros sem conhecimento da FIA. Os pneus atualmente passam por um esforço bem diferente e com a limitação de testes, fica difícil achar uma situação razoável. A própria Pirelli sofreu para desenvolver os novos pneus mais largos para as novas regras de 2017 por conta destes dados e não podiam usar carros atualizados.

O ideal seria ter as duas disputando na pista. Mas FIA e as equipes acreditam que tal decisão poderia levar a uma escalada de custos por conta dos inúmeros testes de desenvolvimento. Tanto que hoje, fora na pré-temporada, os testes de pneus são feitos às expensas da Pirelli (no mês passado, McLaren, Ferrari e Mercedes testaram novos compostos para 2018). E o edital prevê parâmetros para a troca de dados pelas equipes e a fornecedora.

Estima-se a decisão da FIA e da FOM deverá sair até o final deste mês, pois o próprio edital de licitação prevê que o fornecedor escolhido tem que entregar os primeiros modelos para ensaios de laboratório e para as equipes no início de 2019. A briga está em campo aberto e logo saberemos o que falará mais alto.

domingo, 30 de setembro de 2018

Não é o jogo de equipe...


Tão logo Valtteri Bottas quase parou sua Mercedes 77 na volta 25 do GP da Rússia para que Lewis Hamilton ficasse à sua frente, um misto de revolta e decepção veio através do público que acompanha a Fórmula 1.



Uma repetição da Áustria 2002 se materializava diante de todos. Ross Brawn deve ter visto uma filme passar em sua frente enquanto se sentava ao lado de Vladmir Putin na tribuna de Sochi. Esqueçam a corrida de Leclerc, Max Verstappen e até mesmo a ultrapassagem de Hamilton sob Vettel. Tudo ficou esquecido pela decisão da Mercedes.



O que se questiona não são as ordens de equipe. Estas são mais antigas do que andar para frente e são corriqueiras não só no automobilismo, mas em outros esportes, como o ciclismo. Até foi tema de coluna ontem aqui (eis o link). No caso da Mercedes, a opção por favorecer Hamilton era totalmente defensável e lógica.



Mas precisava ser do jeito que foi? Como dito, o ganho pela troca de posições era de 7 pontos. Além disso, até os tatuís das praia de Sochi (será que tem mesmo tatuí em Sochi?) sabem que Hamilton é um piloto melhor e mais completo do que Bottas e poderia ganhar a posição tranquilamente. Ou ainda, vá lá, fazer de modo mais “disfarçado”, em um trabalho de box ou até mesmo numa simulação de ultrapassagem, com o uso do DRS.



Mas mesmo com toda a situação, imagine só a Ferrari fazendo isso. Quantas vezes ela apelou para este estrategema, sendo uma delas até este ano(Alemanha)? Soa até curioso ouvir Vettel chamar a decisão da Mercedes de “sem cérebro”.



E deixemos de hipocrisia: a Fórmula 1 nunca foi “politicamente correta”. Ao longo de sua história, várias atitudes tomadas mostram que nem sempre o “correto” e “altivo” era levado em consideração. Por anos, correu na África do Sul com o país adotando uma política de estado de segregação; vendeu sua alma para correr em países sem tradição por conta de dinheiro e outras coisas. Sem contar as trocas de posição. Uma situação desta lembra um ladrão que roubou a vida toda, foi furtado e agora tem a chance de posar como paladino da moral e dos bons costumes.



Pouco adiantam agora as declarações “arrependidas” e “pesarosas” de Toto Wolff e Lewis Hamilton e uma bela foto da equipe com os troféus trocados entre o inglês e Bottas. O estrago está feito e manchará a história da 70º vitória de Hamilton e o agora muito provável quinto título. Pensar que a Mercedes já foi uma “baluarte” da defesa da disputa entre pilotos da mesma equipe.



Como agora a nova dona da categoria se preocupa (um pouco) com a imagem perante ao público, alguma ação deve ser tomada. Lá atrás, após Áustria 2002, o regulamento passou a proibir as ações descaradamente deliberadas. Daí então, as equipes passaram a usar outros meios (um exemplo foi o famoso “Multi 21” da Red Bull), mas as ordens prosseguiram. Provavelmente, teremos mais um exemplo de “vamos mudar tudo para continuar a mesma coisa”.



O fã da Fórmula 1 quer disputas sinceras. Aí está o núcleo do objetivo do espectador e tudo gira em torno disso. Quando até isso se põe em dúvida, todos os alicerces do prédio trincam e podem colapsar. Encenações podem até acontecer, mas o excelentíssimo público quer uma atuação digna de Oscar. E não um pastelão de quinta categoria como o hoje de Sochi. 


sábado, 29 de setembro de 2018

Razão x Emoção: o dilema de Toto


No passeio da Mercedes em Sochi, um fato que não acontecia já a algum tempo ocorreu: Valtteri Bottas obteve a pole position, ficando por pouco mais de um décimo à frente de Lewis Hamilton. Tudo bem que o inglês errou em sua última tentativa, mas o finlandês confirma que se sente à vontade nesta pista.



Outro aspecto importante foi a diferença entre as Mercedes e as Ferrari. Muita gente pensou que os italianos estariam “escondendo” o jogo e mostrariam a real situação no treino definitivo, ainda mais por conta da série de novidades que trouxeram para esta prova. Mas em nenhum momento, Vettel e Raikkonen se mostraram em condições de discutir a primeira fila.



A esperança agora dos italianos é a largada. Só que, segundo os jornalistas que estão acompanhando, a Mercedes está conseguindo ter melhores condições de tempo nas sequências de voltas, com um tratamento de pneus melhor do que as Ferrari. Realmente, está difícil estar no lugar de Vettel e Raikkonen...



Com esta situação, uma dúvida deve emergir para Toto Wolff: como gerenciar a evolução da prova?



Com seus dois pilotos na primeira fila e caso não haja qualquer tipo de acidente, a Mercedes terá a possibilidade de escolher como fará a corrida. Wolff tem duas opções na mesa: a primeira, é ser pragmático e fazer que Bottas faça uma corrida totalmente em prol de Hamilton. Caso haja a troca de posições e o finlandês consiga manter Vettel atrás de si, o inglês aumentaria sua distância para o alemão em mais 10 pontos e iria para o Japão com 50 pontos de diferença. Faltando 5 etapas para o fim, pavimentaria o caminho para o seu quinto título.



Mas ainda há a opção da justiça: Bottas está à vontade na Russia e tem feito até aqui uma temporada decente, inclusive jogando em prol de Hamilton. Aliás, as únicas “dobradinhas" da temporada até aqui vieram da Mercedes (Espanha e Alemanha). Mas a equipe pode optar por deixar que os dois façam suas respectivas corridas e permitir que  finlandês obtenha sua primeira vitória na temporada. Esta situação permitiria que Hamilton aumentasse a sua diferença, mas para 43 pontos.



Para a Mercedes, seria indiferente qualquer uma das duas opções, pois a liderança no certame de construtores seria tranquilamente mantida e ampliada. O bolso da Daimler agradece penhoradamente caso isso se concretize, pois é desta premiação é que sai boa parte do dinheiro do orçamento....



Enfim: Wolff pode apelar para o par-ou-ímpar, cara ou coroa, uni-duni-tê ou qualquer outro método tecnológico e randômico. A bola está no seu campo e o clima é totalmente favorável. Só resta à Vettel e a Ferrari não baixarem os braços.


O ganho de pontos varia pouco, considerando que Vettel e Raikkonen cheguem em terceiro e quatro. Claro que corridas são imprevisíveis e vimos isso várias vezes este ano. Mas qual é a graça de não querer adivinhar o que vai acontecer?

Na posição de Toto, pensaria sim no campeonato de Hamilton. podem ser somente 3 pontos de diferença entre uma opção e outra. Mas faltando pouco para terminar a temporada, é hora de ser pragmático e garantir a vitória. Não irão faltar àqueles que defenderão o resultado de pista, o que não deixa de ser certo. Mas na conjuntura atual, é hora de fazer como no ciclismo e priorizar o capitão da equipe.


Vamos ver o que o domingo nos espera. Em princípio, valerá a pena ver a largada e as paradas nos boxes. Embora seja um belo cenário, o traçado não permite tantos “arroubos” de ultrapassagens, fazendo a famosa “procissão”. Talvez a escalada da Red Bull nos dê alguns momentos interessantes e o garoto Leclerc largando de uma ótima sétima posição, brigando com as Force India (6º e 8º com Ocon e Perez)e a Haas (5º e 9º com Magnussen e Grosjean).